O turismo consciente é uma forma de viajar que busca diminuir os impactos negativos que o fenômeno causa no meio ambiente, nas comunidades e na economia local. O turismo nos convida a realizar diversas experiências, conhecer locais incríveis e mostrar um pouco do que o mundo pode oferecer em cada local visitado. No entanto, quando não bem planejado pode causar impactos negativos nos lugares e nas pessoas.
Por isso, pensar e principalmente praticar um turismo consciente se faz cada vez mais urgente diante das transformações que o planeta está passando. O turismo contribui significativamente para isso, como a degradação do meio ambiente, poluição, descaracterização de culturas tradicionais e vários outros fatores que impactam de forma negativa.
O turismo consciente vem para ressignificar a maneira como viajamos. Viajar com mais propósito e contribuindo de forma para os destinos, respeitando e preservando as comunidades, as culturas e a biodiversidade. Além de gerar emprego e renda de forma mais sustentável e digna na cadeia produtiva do turismo. Qualquer um pode ser um viajante consciente e responsável e pequenas atitudes podem fazer a diferença, baixo elencamos algumas delas.
Turismo consciente: 7 dicas para começar a praticar
Como fazer um turismo consciente?
1- Pesquise sobre o local antes de viajar
Pesquisar um pouco mais sobre questões culturais, históricas e políticas do local prepara o viajante para aproveitar o destino de forma mais profunda. Entender mais sobre a perspectiva de mundo que os locais têm contribui para quebrar certos preconceitos sobre o outro e respeitar mais as diferenças.
Por exemplo, países no sudeste asiático adotam códigos de vestimentas para entrar em templos religiosos. Da mesma forma, dar gorjetas é bem comum em vários países, mas na Coreia do Sul não, isso é uma atitude que pode gerar mal entendido. Já na China, arrotar é sinônimo de gratidão. Cada cultura tem seu próprio sentido dentro do contexto em que está inserida, então é importante se atentar que provavelmente os costumes e tradições serão bem diferentes dos que está acostumado.
Uma dica é: se prontifique a aprender algumas palavras de cumprimento no idioma local, isso ajuda na conexão com os habitantes, sendo uma forma de interesse e respeito pela cultura alheia, e eles apreciam isso.
2- Valorize a comunidade local e a produção associada

Escolher estabelecimentos que utilizem mão de obra local e valorizem a identidade cultural ajuda a gerar renda e a manter saberes e tradições locais. Comprar produtos e artesanatos produzidos no local ao invés de souvenirs padronizados que provavelmente nem feitos no país foram. Comer em restaurantes ou outros estabelecimentos que utilizem produtos da região, além de priorizar restaurantes, padarias e mercados populares onde se tem acesso a uma culinária mais autêntica. Contratar guias locais também é um ótimo jeito de conhecer cantinhos fora do óbvio e vivenciar uma experiencia mais autêntica. No withlocals é possível reservar passeios em diversos países.
Para quem não conhece, uma modalidade que vai ao encontro de viajar consciente é o Turismo de Base Comunitária (TBC), que vem crescendo e tem por finalidade valorizar comunidades e seus saberes. A comunidade conduz o turismo na localidade e a renda gerada é revertida para manter suas atividades e garantir qualidade de vida. Existem empresas especializadas em promover esse tipo de turismo:
Braziliando– Atua organizando roteiros pela Amazônia.
Vivejar– Promove roteiros em comunidades tradicionais, prezando pela sustentabilidade e empoderamento feminino.
Uika– Organiza roteiros culturais e na natureza na Amazônia.
Rede Tucum– Umas das maiores referencias de Turismo de Base Comunitária no Brasil, a rede promove roteiros no litoral cearense.
Essas são boas formas de dar algum retorno socioeconômico a comunidade, além de vivenciar experiencias verdadeiras que impactam positivamente para o viajante e para a comunidade.
3- Reserve hospedagens locais e/ou que adotem práticas responsáveis
Ao selecionar sua hospedagem prefira as que adotem ações de redução de descartáveis ou reaproveitamento da água da chuva, por exemplo. Afinal, há diferentes formas das empresas contribuírem positivamente para o destino, uma vez que, ser responsável não é só papel do turista. Além disso, prefira por pequenas pousadas e hotéis familiares, é mais certo que o retorno financeiro vai ficar na comunidade e não fora. No Bookin.com e no Airbnb é fácil encontrar uma variedade de hospedagens familiares e também hospedagens que adotam medidas de redução de impacto.
4- Produza menos lixo

Se queremos um planeta saudável para as próximas gerações, então é preciso repensar o quanto de lixo produzimos e como isso impacta na sociedade. Só para ter noção, o plástico leva em média 500 anos para se decompor e é o tipo de material extremamente comum encontrado em itens domésticos e de viagens.
Adquirir produtos como copo reutilizável ou uma garrafa de inox que é bem durável, kit de talheres, canudo de metal, ecobag e até levar amenities de casa são boas opções de ser mais consciente na hora de arrumar as malas e produzir menos lixo durante as viagens. Outra opção é apostar em produtos de marcas sustentáveis que possuem em suas composições materiais que não agridem rios, mares e nem sejam absorvidos pelo solo.
Além disso, seja em trilhas, praias, parques ou nos centros urbanos evite descartar o lixo que produz em qualquer lugar, há cidades que não possuem coleta seletiva ou funciona de forma não tão eficaz. O Brasil ainda recicla muito pouco, então tenha em mente que provavelmente cidades pequenas e vilas possuam dificuldades de gerirem o lixo que produzem.
5- Não consuma atrações que explorem animais

A beleza em ver os animais é quando esses estão em seu habitat natural. Interações como montar em elefantes, nadar com golfinhos e tirar fotos com leões são algumas das atividades turísticas cruéis e que não devem ser estimuladas, por mais que algumas possam parecer inofensivas. Ter senso crítico ao programar passeios que envolvam animais é muito importante. Procure por parques e reservas naturais que permitam que esses animais vivam em ecossistemas pertencentes a sua espécie e lembre-se de nunca os alimentar ou tocar, isso pode deixá-los vulneráveis.
6- Viaje para destinos menos conhecidos
Escolha seu destino com sabedoria. Lugares onde o turismo de massa ainda não chegou podem se beneficiar bem mais com a sua presença, fora o fato de permitir que o viajante se conecte com mais facilidade com os habitantes e cultura local. Você pode se surpreender com o que esses destinos oferecem.
Mas se a escolha for para um destino bem conhecido, evite as altas temporadas, é certo que os lugares ficam mais caros e lotados. Uma dica nesse caso é: pesquise lugares fora da rota de turistas para comer, fazer compras e se hospedar. Beneficie-se das possibilidades que as cidades podem oferecer. Quanto a atrações turísticas vá cedo para evitar encontrá-los cheios e reserve com antecedência se for para algum que tenha necessidade de ingresso.
7- Viaje mais devagar
Ao invés de maratonar um monte de atrativos turísticos em um dia ou em encaixar no roteiro várias cidades ou países para conhecer em pouco tempo; aproveite para desfrutar aos poucos, com calma e captando a essência dos lugares e das pessoas que vivem lá. Crie seu ritmo e monte uma viagem que se adeque a seus gostos sem que se torne algo cansativo e sem significado.
Caminhe ou ande de bicicleta, além de serem hábitos saudáveis são maneiras ecológicas de se locomover. Ao aderir a esse meio o viajante observa detalhes que passariam despercebidos se fosse utilizado outro meio de transporte. Dê preferência por transporte público, como ônibus e trens quando for se deslocar para lugares mais longes. A exemplo da Europa, o velho continente é conectado por malhas ferroviárias onde é possível atravessar fronteiras em transportes de qualidade a um preço justo.


